quarta-feira, 18 de setembro de 2019

ENTREVISTA COM JOSE DONIZETTI PROVINCIATTI
de Santa Rita do Passa Quatro-SP
Blog: Publicou o livro de forma física ou online? Quais as vantagens e desvantagens de se publicar pela forma que escolheu?
José Donizetti: Através de algumas plataformas é possível adquirir o livro digitalmente e também impresso. As vantagens destas publicações independentes são em especial, gastos pequenos, já que não precisamos injetar capital para a produção e impressão das obras e as facilidades da edição. O leitor poderá tranquilamente, comprar apenas um livro destes, no site, quiçá outros para, quem sabe, presentear alguém e eu como autor posso até comprar uma grande quantidade deles, caso eu queira. E ainda tenho a oportunidade de escolher alguns detalhes do livro, como impressão colorida ou em preto-e-branco, orelhas, capa dura, brilhante ou fosca e até a
qualidade do papel usado. Desvantagens eu diria nenhuma, entretanto citaria a divulgação como uma desvantagem, já que este trabalho é feito mais pelos escritores, que pela plataforma.

Blog: Qual o seu conselho para as pessoas que querem lançar um livro?
José Donizetti: Através destes mecanismos modernos apresentados pela internet, lançar um livro é extremamente fácil. O segredo é escrever o livro! Se em outros tempos, as dificuldades encontravam caminhos árduos nas publicações e gráficas, que iriam elaborar o livro, estes já não existem nos dias de hoje. Já escrever um livro, é mais complicado! Primeiro porque escrever é um dom! Muitos sabem todas as regras da escrita, mas falta-lhes o dom! Até porque se a intenção do artista é que seu livro, arrebata multidões e/ou seja um best-seller, tudo o que nele estiver escrito, tem que agradar muito a estas multidões! Aí é que está o segredo do escritor! Então o meu conselho seria, Se você tem o dom da escrita, escreva com sua alma, leia seu texto, seu livro e sinta a essência das palavras ali inseridas! Se elas fizeram teu coração disparar, siga em frente, será um sucesso!

Blog: Como vê a literatura no Brasil?
José Donizetti: Acredito que nos dias de hoje, com a ascensão da internet, uma grande parte das pessoas deixaram meio de lado a literatura que edificava a alma, pra ficar vendo banalidades do dia a dia! As redes sociais estão repletas de escritos mentirosos e a difamação das pessoas tornou-se cruel, fazendo mesmo, com que pessoas inteligentes fiquem burras do dia pra noite, acreditando nas leituras falsas e mentirosas espalhadas por aí! Eu vejo tudo isso como uma grande tristeza para o país, que aos poucos deixa de ler conhecimentos, pra lerem emburrecimento! Ainda bem que outra grande parte da população brasileira, acordada à tudo isso, que pesquisa, que busca conhecer a leitura, para então buscar o conhecimento perdido! E assim, enquanto estas pessoas sábias existirem, os pilares da literatura estão a salvo no Brasil!

Blog: O que é preciso para que a literatura nacional seja mais valorizada?
José Donizetti: Eu acredito que tudo começa na educação! Professor passar conhecimento e incentivo aos alunos, buscando meios para que estes também se interessem pela leitura e principalmente pelo saber da escrita, que aos poucos descamba ribanceira internética abaixo! Claro que pra isso, há que se pensar também, nos incentivos e programas governamentais escassos nos últimos anos! O governo precisa implementar estes incentivos à rede pública e privada, fazendo com que a busca pelo conhecimento literário se faça presente no dia a dia das famílias!

Blog: Como faz para divulgar o livro? Qual a melhor forma?
José Donizetti: Então, eu diria que parte desta pergunta se torna prejudicada, pelo fato de eu não divulgar meus livros, pelo menos ainda não! Mas acredito ter inúmeras formas pra isso! Internet, redes sociais, boca a boca, propaganda pelos meios de comunicações, enfim, uma infinidade de possibilidades a se explorar, para que a divulgação atinja o maior público possível! Dentre estes na atualidade creio ser a internet umas das principais formas de divulgação, pela abrangência mundial que tem e em poucos segundos!

Blog: Quando começou a escrever, já fazia planos de seguir carreira?
José Donizetti: Jamais!!! Em minha escola, há muitos anos atrás, eu já recebia elogios de minhas professoras em relação às minhas redações, mas eu nunca escrevi imaginando me tornar um grande escritor! Ainda hoje é exatamente assim que penso! Eu escrevo com a alma, tentando descrever sentimentos ora sentidos naquele instante, ora sentido há muito! E sabem por quê e para que? Porque gosto de escrever da forma que escrevo e porque gosto de deixar meus pensamentos grafados nas linhas dos meus livros! Eu não penso em vender meus livros, até porque eu ainda preciso corrigir meus erros, por que eu só fui escrevendo e publicando no site! Assim a minha intenção, nas linhas dos meus livros, é que, sejam eternos os meus pensamentos descritos, para o deleite simplesmente de minha alma! Quiçá adiante, pela proximidade de minha aposentadoria, eu os possa vendê-los realmente! Aí vou fazer um trabalho de revisão e aperfeiçoamento para que os honrados leitores que os lerem possam sentir-se acariciados nas profundezas de suas almas com cada linha lida, enaltecendo assim este humilde, quiçá, escritor!

Blog: A internet influencia na carreira do escritor?
José Donizetti: Hoje eu acredito que sim e muito! A divulgação com o advento da internet se torna mais abrangente! Temos hoje a possibilidade de sermos conhecidos no mundo todo, apenas com algumas palavras escritas! Os livros virtuais atingem um público imenso e com muita facilidade! Claro que ainda acho mais encantador, mais enternecedor, o livro impresso, mas o virtual tem muito valor! Além disso a internet, interliga os povos, levando aos mais remotos cantos do mundo, informações e formações, que se bem catalogadas, são sem dúvidas, fundamentais à captação de conhecimento para que possamos formar um grande escritor!

Blog: Deixe um recado para seus leitores e seguidores do blog:
José Donizetti: Primeiramente eu quero agradecer muito à Gabriella por este carinho! Eu fico muito grato a este blog, pela oportunidade a mim dada, sentindo-me muito honrado, por poder humildemente explanar alguma coisa dos meus pensamentos, acerca principalmente dos meus livros, pelos quais eu tenho grande apreço! Alguns deles, tem textos envelhecidos, de há muito escrito por mim. São relíquias de minha vida! É assim que espero que todos os seguidores deste blog fantástico, cuja ideia deveria se alastrar pelo mundo, pensem: livros são relíquias de vidas! Leiam mais, escrevam mais e vamos fazer este mundo mais belo, ao sabor das palavras ditas aos ventos, sim aos ventos, para que eles, as levem para todos os povos do nosso mundo magnífico! Para que assim, os bons pensamentos, possam amenizar a alma dos que em conflitos, buscam atenuar as dores, sem muitas vezes encontrar respostas e apoio! Meus melhores cumprimentos à Gabriella! Obrigado à todos!

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domingo, 15 de setembro de 2019

Entrevista com Jey Leonardo
de Sapé, Paraíba
Blog: Publicou o livro de forma física ou online? Quais as vantagens e desvantagens de se publicar pela forma que escolheu?
Jey Leonardo: O meu primeiro livro Talvez não seja tarde foi publicado de forma física, mas também foi disponibilizado uma versão online. A forma tradicional, em minha opinião, ainda é a mais preferida pelos brasileiros em geral. A sensação de poder pegar no livro, tocar nas páginas, marcar seus trechos favoritos, faz toda a diferença. Por outro lado, com o crescente ritmo dos dispositivos tecnológicos, também há uma tendência das pessoas optarem pela forma digital. Acho que não há desvantagens, o importante é publicar e encontrar o que mais se alinha com o seu desejo.

Blog: Qual o seu conselho para as pessoas que querem lançar um livro?
Jey Leonardo: Que organizem seus projetos e estudem bem ele antes de publicá-lo. Acima de qualquer coisa, um livro deve ter qualidade, isso é o mais importante.

Blog: Como vê a literatura no Brasil?
Jey Leonardo: Em processo de transição. A crescente onde de autores principiantes que estão divulgando muito mais do que antes os seus trabalhos, traz um novo parâmetro para a literatura brasileira. Surgem a cada dia novos estilos de textos e através da internet o público passa a ter um acesso maior a estes trabalhos. Logo, a literatura no Brasil ganha folego para a renovação de seus estilos mais clássicos, possibilitando que nomes novos figurem em âmbito nacional.

Blog: O que é preciso para que a literatura nacional seja mais valorizada?
Jey Leonardo: Mais respeito entre os próprios autores, além do sentimento de cumplicidade. Existe muita "guerra" de egos no mundo literário e isso prejudica completamente a literatura nacional. Os autores dificilmente se apoiam e se valorizam. E quando a própria classe não se ajuda, é difícil que o grande público faça o mesmo. Os autores precisam criar entre si o espírito de irmandade. Acredito que há espaço para todos.

Blog: Como faz para divulgar o livro? Qual a melhor forma?
Jey Leonardo: Atualmente é a internet. Planejar e pensar a divulgação em todos os formatos para o maior número possível de plataformas. A divulgação virtual além de ser muito barata, garante bons resultados.

Blog: Quando começou a escrever, já fazia planos de seguir carreira?
Jey Leonardo: Comecei entre 2009 e 2010. Nunca pensei que faria da escrita uma espécie de profissão. Sempre foi mais por prazer. Mas com a repercussão e o passar do tempo, acabei unindo o útil ao agradável e hoje mantenho esse projeto literário como meu principal cartão de visitas.

Blog: Quando olha para trás, sua maior satisfação é poder dizer...
Jey Leonardo: Estou realizado! Faço o que amo, independentemente de quaisquer circunstâncias.

Blog: Qual a função social da literatura?
Jey Leonardo: Transformar. A literatura tem a imensa responsabilidade de gerar reflexões que são capazes de mudar o mundo e a visão das pessoas. Seja em qualquer âmbito que atue, mas a literatura possui o poder de causar impactos na sociedade, fazendo com que novos conceitos surjam e que erros não sejam mais cometidos.

Blog: A internet influencia na carreira do escritor?
Jey Leonardo: Completamente! Como já havia dito, a internet atualmente concentra uma grande quantidade de usuários que estão buscando conteúdo, então isso possibilita alcançar mais pessoas através da divulgação do seu trabalho.

Blog: Se pudesse voltar no tempo mudaria alguma coisa?
Jey Leonardo: Não. Sou muito satisfeito com tudo. Onde errei, amadureci e isso é o mais importante. Acho que tudo que aconteceu na minha vida foi no tempo certo.

Blog: Deixe um recado para seus leitores e seguidores do blog:
Jey Leonardo: Agradeço enormemente a oportunidade concedida pela Gabriella para esta entrevista e fico feliz por existirem blogs assim, que buscam levar cada vez mais a literatura para o maior número de pessoas possíveis. Não existe autor sem leitor, então o papel de quem lê talvez seja até mais importante do que o de quem escreve. Minha gratidão a todos que me acompanham e já leram meus textos e livro! Deixo registrado que meu segundo livro está prestes a sair e  isso é uma razão para ficar ainda mais feliz! Obrigado.

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quarta-feira, 7 de agosto de 2019

"Nem todas as obras divinas são guiadas para os justos, 
mas em algum  tempo da eternidade 
todos os justos receberão uma obra divina, 
pois a fé é o caminho para o amor, 
e o amor é o caminho para a paz, e se você encontrou a paz, 
é porque encontrou a eternidade no paraíso".

Entrevista com Jean Carlos de Oliveira, 
de Marília-SP
Blog: Publicou o livro de forma física ou online? Quais as vantagens e desvantagens de se publicar pela forma que escolheu?
Jean Carlos: Publiquei de forma online, a vantagem é o resultado mais rápido, antigamente você tinha que entrar em contato com as editoras, agora com essa ferramenta podemos publicar online, ficou muito melhor!

Blog: Qual o seu conselho para as pessoas que querem lançar um livro?
Jean Carlos: Nunca desistir, foque no seu romance e não deixe sua história sem fim, no final você imortalizará a sua alma!

Blog: Como vê a literatura no Brasil?
Jean Carlos: É importantíssimo refletir sobre a literatura, de um modo geral. Principalmente com as rápidas transformações no mercado editorial brasileiro, agora com as novas tecnologias é mais fácil publicar, o que nos leva para um crescimento de comercialização de livros!

Blog: O que é preciso para que a literatura nacional seja mais valorizada?
Jean Carlos: A literatura deveria ser uma das matérias educacionais, isso deveria ser incluído nas disciplinas curriculares dos ensinos fundamental e médio, existem muitas obras geniais espalhadas no país, mais ainda falta muito para que isso seja reconhecido, é preciso mais oportunidade para novos escritores, é preciso que isso seja incluído como parte da educação de nossos filhos, acredito que assim a literatura seria mais valorizada!
"A última imagem da que eu consigo me lembrar, 
é ele acenando pedindo carona, 
foi a última vez que eu o vi..."

Blog: Como faz para divulgar o livro? Qual a melhor forma?
Jean Carlos: Hoje a melhor forma para divulgar um livro, sem dúvida, é nas redes sociais, e é assim que eu tenho feito!

Blog: Quando começou a escrever, já fazia planos de seguir carreira?
Jean Carlos: Comecei com 21 anos, mas já fazia planos para seguir carreira antes dos 18 anos, hoje graças a Deus com 31 anos tenho minha obra publicada!

Blog: Qual a função social da literatura?
Jean Carlos: Unir a sociedade para uma educação melhor, literatura é educação, é conhecimento e engrandece a pessoa intelectualmente, transforma uma mente bruta para uma mente lapidada e, sem dúvida, essas são as funções importantes para todos!

Blog: A internet influencia na carreira do escritor?
Jean Carlos: Com certeza sim, hoje publicar um livro ficou muito mais fácil com as plataformas e ferramentas que encontramos, todas as informações que precisamos para formar uma história podem ser encontradas na internet, sem mencionar que a publicidade é grande e sua obra pode sim aparecer de várias formas, se souber usá-la sem dúvida vai influenciar na carreira do escritor!

Blog: Deixe um recado para seus leitores e seguidores do blog:
Jean Carlos: Um mundo sem livros é um mundo vazio e escuro, acredito que cada palavra que escrevemos ilumina um pedaço de uma alma, não podemos deixar a literatura acabar, se você tem um sonho de ser escritor, sela ele qual for, nunca desista, persista, insista, pois é preciso acreditar no seu sonho quando ninguém mais acredita! Obrigado, Gabriella Gasparoni, pela oportunidade, foi um imenso prazer participar do seu blog, espero que você conquiste e alcance todos os seus objetivos!

Perfil do Jean Carlos no site da editora, clique aqui
Email: jean87carlos@outlook.com

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Poema "E agora, José?" 
de Carlos Drummond de Andrade
por Carolina Marcello, Mestre em Estudos Literários, Culturais e Interarte (Publicado no site cultura genial)


O poema "José" de Carlos Drummond de Andrade foi publicado originalmente em 1942, na coletânea Poesias. Ilustra o sentimento de solidão e abandono do indivíduo na cidade grande, a sua falta de esperança e a sensação de que está perdido na vida, sem saber que caminho tomar.

José

E agora, José?
A festa acabou
a luz apagou, 
o povo sumiu, 
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome, 
que zomba dos outros, 
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José? 

Está sem mulher, 
está sem discurso, 
está sem carinho, 
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode, 
a noite esfriou,
o dia não veio, 
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca, 
sua lavra de ouro, 
seu terno de vidro, 
sua incoerência, 
seu ódio - e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!

José, para onde?



Análise e interpretação do poema

Na composição, o poeta assume influências modernistas, como verso livre, ausência de um padrão métrico nos versos e uso de linguagem popular e cenários cotidianos.

Primeira estrofe
Começa por colocar uma questão que se repete ao longo de todo o poema,se tornando uma espécie de refrão e assumindo cada vez mais força: "E agora, José?". Agora, que os bons momentos terminaram, que "a festa acabou", "a luz apagou", "o povo sumiu", o que resta? o que fazer?
Esta indagação é o mote e o motor do poema, a procura de um caminho, de um sentido possível. José, um nome muito comum na língua portuguesa, pode ser entendido como um sujeito coletivo, metonímia de um povo. Quando o autor repete a questão, e logo depois substitui "José" por "você", podemos assumir que está se dirigindo ao leitor, como se todos nós fossemos também o interlocutor.
É um homem banal, "que é sem nome", mas "faz versos", "ama", "protesta", existe e resiste na sua vida trivial. Ao mencionar que este homem é também um poeta, Drummond abre a possibilidade de identificarmos José com o próprio autor. Coloca também um questionamento muito em voga na época: para que serve a poesia ou a palavra escrita num tempo de guerra, miséria e destruição?

Segunda estrofe
Reforça a ideia de vazio, de ausência e carência de tudo: está sem "mulher", "discurso" e "carinho". Também refere que já não pode "beber", "fumar" e "cuspir", como se seus instintos e comportamentos estivessem sendo vigiados e tolhidos, como se não tivesse liberdade para fazer aquilo que tem vontade.
Repete que "a noite esfriou",numa nota disfórica, e acrescenta que "o dia não veio", como também não veio "o bonde", "o riso" e "a utopia". Todos os eventuais escapes, todas as possibilidades de contornar o desespero e a realidade não chegaram, nem mesmo o sonho, nem mesmo a esperança de um recomeço. Tudo "acabou", "fugiu", "mofou", como se o tempo deteriorasse todas as coisas boas.

Terceira estrofe
Lista aquilo que é imaterial, próprio do sujeito ("sua doce palavra", "seu instante de febre", "sua gula e jejum", "sua incoerência", "seu ódio") e, em oposição direta, aquilo que é material e palpável ("sua biblioteca", "sua lavra de ouro", "seu terno de vidro"). Nada permaneceu, nada restou, sobrou apenas a pergunta incansável: "E agora, José?".

Quarta estrofe
O sujeito lírico não sabe como agir, não encontra solução face ao desencantamento com a vida, como se torna visível nos versos "Com a chave na mão/quer abrir a porta,/não existe porta". José não tem propósito, saída, lugar no mundo.
Não existe nem mesmo a possibilidade da morte como último recurso - "quer morrer no mar,/mas o mar secou" - ideia que é reforçada mais adiante. José é obrigado a viver.
Com os versos "quer ir para Minas,/Minas não há mais", o autor cria outro indício da possível identificação entre José e Drummond, pois Minas é a sua cidade natal. Já não é possível voltar ao local de origem, Minas da sua infância já não é igual, não existe mais. Nem o passado é um refúgio.

Quinta estrofe
Coloca hipóteses, através de formas verbais no pretérito imperfeito do subjuntivo, de possíveis escapatórias ou distrações ("gritasse", "gemesse", "tocasse a valsa vienense", "morresse") que nunca se concretizam, são interrompidas, ficam em suspenso, o que é marcado pelo uso das reticências.
Mais uma vez,é destacada a ideia de que nem mesmo a morte é uma resolução plausível, nos versos: "Mas você não morre/Você é duro, José!". O reconhecimento da própria força, a resiliência e a capacidade de sobreviver parecem fazer parte da natureza deste sujeito, para quem desistir da vida não pode ser opção.

Sexta estrofe
É evidente o seu isolamento total ("Sozinho no escuro/Qual bicho-do-mato"), "sem teogonia" (Não há Deus, não existe fé nem auxílio divino), "sem parede nua/para se encostar" (sem o apoio de nada nem de ninguém), "sem cavalo pretp/que fuja a galope" (sem nenhum meio de fugir da situação em que se encontra).
Ainda assim, "você marcha, José!". O poema termina com uma nova questão: "José, para onde?". O autor explicita a noção de que este indivíduo segue em frente, mesmo sem saber com que objetivo ou em que direção, apenas podendo contar consigo mesmo, com o seu próprio corpo.
O verbo "marchar", uma das últimas imagens que Drummond imprime no poema, parece ser muito significativo na própria composição, pelo movimento repetitivo, quase automático. José é um homem preso à sua rotina, às suas obrigações, afogado em questões existenciais que o angustiam. Faz parte da máquina, das engrenagens do sistema, tem que continuar suas ações cotidianas, como um soldado nas suas batalhas diárias.
Mesmo assim, e perante uma mundividência pessimista, de vazio existencial, os verbos finais do poema podem surgir como um vestígio de luz, uma réstia de esperança ou, pelo menos, de força: José não sabe pra onde vai, qual o seu destino ou lugar no mundo, mas "marcha", segue, sobrevive, resiste.

Contexto histórico: Segunda Guerra Mundial e Estado Novo
Para compreender o poema na sua plenitude é essencial termos em vista o contexto histórico no qual Drummond viveu e escreveu. Em 1942, em plena Segunda Guerra Mundial, o Brasil também tinha entrado num regime ditatorial, o Estado Novo de Getúlio Vargas.
O clima era de medo, repressão política, incerteza perante o futuro. O espírito da época transparece, conferindo preocupações políticas ao poema e expressando as inquietações cotidianas do povo brasileiro. Também as condições de trabalho precárias, a modernização das indústrias e a necessidade de migrar para as metrópoles tornavam a vida do brasileiro comum numa luta constante.

Carlos Drummond de Andrade e o Modernismo brasileiro
O Modernismo brasileiro, que surgiu durante a Semana de Arte Moderna de 1922,foi um movimento cultural que pretendia quebrar os padrões e modelos clássicos e eurocêntricos, heranças do colonialismo. Na poesia, queria abolir as normas que restringiam a liberdade criativa do autor: as formas poéticas mais convencionais, o uso de rimas, o sistema métrico dos versos ou os temas considerados, até então, líricos.
A proposta era abandonar o pedantismo e os artifícios poéticos da época, adotando uma linguagem mais corrente e abordando temas da realidade brasileira, como modo de valorizar a cultura e a identidade nacional.
Carlos Drummond de Andrade nasceu em Itabira, Minas Gerais, no dia 31 de outubro de 1902. Autor de obras literárias de vários gêneros (conto, crônica, história infantil e poesia), é considerado um dos maiores poetas brasileiros do século XX.
Integrou a segunda geração modernista (1930-1945) que abraçou as influências dos poetas anteriores, e se focou largamente nos problemas sociopolíticos do país e do mundo: desigualdades, guerras, ditaduras, surgimento da bomba atômica. A poética do autor também revela um forte questionamento existencial, pensando no propósito da vida humana e no lugar do homem no mundo, como podemos ver no poema em análise.
Em 1942, data de publicação do poema, Drummond estava de acordo com o espírito da época, produzindo uma poesia política que expressava as dificuldades diárias do brasileiro comum e as suas dúvidas e angústias, assim como a solidão do homem do interior perdido na cidade grande.
Drummond morreu no Rio de Janeiro, dia 17 de agosto de 1987, na sequência de um infarto do miocárdio, deixando um vasto legado literário.

domingo, 23 de junho de 2019

Entrevista com Ariane Aparecida Zucco
de Chapecó - Santa Catarina

Blog: Publicou o livro de forma física ou online? Quais as vantagens e desvantagens de se publicar pela forma que escolheu?
Ariane: Publiquei meu primeiro livro chamado O Protetor das duas maneiras, mas depois percebi que é mais viável publicar somente em ebook, e depois com o tempo, quando o livro for conhecido, daí sim, fazê-lo em físico. O ebook nos dá menos gastos e nos traz mais retorno financeiro. E para um autor iniciante é isso que queremos.

Blog: Qual o seu conselho para as pessoas que querem lançar um livro?
Ariane: Se joga, vai com tudo. Hoje temos publico para os mais variados gêneros da literatura, mas não deixe de fazer um trabalho bem feito, bem revisado para depois não se arrepender com críticas negativas. Uma dica que dou é: Comece postando o livro no Wattpad, lá você já terá uma ideia de qual público atingirá, qual será a desenvoltura do seu livro e consequentemente já terá conquistado fãs quando seu livro for lançado em ebook.
 Blog: Como vê a literatura no Brasil?
Ariane: Precisamos de mais incentivo, pois com certeza existem escritores tão bons quantos os estrangeiros. Muitos leitores ainda têm preconceito em ler livros nacionais por acharem que só há um gênero ─ o hot. Mas hoje em dia, existem escritores que escrevem os mais variados gêneros e que se destacam na literatura brasileira. Não é fácil ser escritor iniciante, vai muito tempo até adquirir seu espaço e reconhecimento, é um caminho a ser percorrido com passinhos de formiga, árduo, mas não é impossível.


Blog: O que é preciso para que a literatura nacional seja mais valorizada?
Ariane: Que os leitores deem uma chance. Que as editoras valorizem o nacional e não cobrem uma facada para publicar um livro. Que haja menos distribuição de pdf ilegal, pois banir acho impossível. São muitos fatores.

Blog: Como faz para divulgar o livro? Qual a melhor forma?
Ariane: Hoje em dia o mundo gira em torno da internet, então ela é para mim, a melhor ferramenta de divulgação. Procuro sempre estar postando novidades, trechos dos livros e conversando com meus leitores, tenho até um grupo no whatsapp para ficar mais pertinho deles e assim, além de conseguir conquistar leitores, conquisto amigos.


Blog: Quando começou a escrever, já fazia planos de seguir carreira?
Ariane: Não, comecei a escrever para ver no que iria dar, pois sempre amei ler, e quando percebi minha mente já estava criando histórias.

Blog: Qual a função social da literatura?
Ariane: Acredito que um livro bem escrito, que passe uma mensagem, pode ajudar de inúmeras maneiras um leitor que se identifique com o personagem. Que esteja passando pela mesma situação. Livros são heróis.


Blog: A internet influencia na carreira do escritor?
Ariane: Com certeza, hoje em dia você deve cuidar muito o que posta em suas redes sociais, pois, infelizmente, vivemos em um mundo onde não devemos ter opinião própria, onde perdemos amizades, leitores e família por conta de ter uma opinião diferente. Assim sendo, evitar barracos, e discussões desnecessárias é a melhor forma de passar uma boa impressão para o leitor e para editoras que possam estar de olho no seu trabalho.


Blog: Deixe um recado para seus leitores e seguidores do blog:
Ariane: Olá leitores do blog Mosaico das Leituras, gostaria de convidá-los a conhecerem meus livros e assim embarcarem em novas aventuras, e se apaixonarem por personagem fortes, mocinhas girl powers, histórias de superação e outras com muita ação. Aos que já conhecem alguma obra minha, só tenho a deixar meu muito obrigada, vocês são demais. E para quem quiser saber um pouco mais sobre mim e minhas obras, basta me adicionar nas redes sociais e me chamar para um papo divertido, sempre estarei disponível para vocês. E gostaria de agradecer principalmente a Gabriella Gasparoni pelo convite. Amei estar aqui.

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sábado, 15 de junho de 2019

A importância da leitura
por Gabriella Porto/Infoescola.com

O hábito da leitura é um dos mais importantes para o desenvolvimendo do intelecto e também o caminho mais curto para adquirir conhecimento. Em meio ao boom tecnológico das últimas décadas, esse hábito acabou ficando de lado, sendo substituído primeiro pela televisão, depois pelos computadores, pelos videogames e agora pelos smartphones.

No quê a leitura ajuda?
A leitura é a maneira mais antiga - e mais eficiente, até hoje, de adquirir conhecimento. E é preciso desconstruir aquela ideia de que ler é um hábito chato e monótono. Ao contrário do que muitas pessoas acreditam, ler revistas, sites, gibis, livros de romance, entre outras leituras de entretenimento, é tão eficaz quanto ler um livro técnico. A diferente é que ler sobre algo técnico oferece conhecimento sobre aquele determinado assunto, enquanto ler sobre variedades estimula o raciocínio e melhora o vocabulário. É clichê, mas é fato: somente escreve bem quem lê bastante. 
A leitura melhora o aprendizado dos estudantes, pois estimula o bom funcionamento da memória, aprimora a capacidade interpretativa, pois mantém o raciocínio ativo, além de proporcionar ao leitor um conhecimento amplo e diversificado sobre diversos assuntos. Quem lê muito conversa sobre qualquer coisa, e consegue formar opiniões bem fundamentadas.

Como criar o hábito de ler?
Comece por um assunto que te agrade. Há sites, livros e revistas sobre tudo, basta procurar.Se você gosta de moda, de jogos, de história, não importa, com certeza haverá publicações que irão te agradar. Reserve um horário todos os dias para ler, de preferência antes de dormir, pois te fará ter um sono mais tranquilo, além de promover uma melhor fixação da memória durante o sono.

Leitura desde a infância
Com a tecnologia fazendo parte das famílias cada vez mais cedo e de forma mais abrangente, é preciso dar atenção especial às crianças, e inserir o hábito da leitura na vida delas desde bem cedo.
A criança geralmente é um espelho dos pais, por isso é importante que o exemplo venha deles. Se você tem filhos, leia para eles desde pequenos, e mostre como a leitura pode ser um hábito divertido. Os resultados virão lá na frente, com bons desempenhos escolares e adultos muito mais seguros e bem preparados.

Para estudantes e vestibulandos
Se ler já é importante no cotidiano de qualquer pessoa, imagine para quem precisa estudar e armazenar uma quantidade enorme de informações de uma só vez? Os estudantes, principalmente aqueles que estão em época de vestibular, precisam se atentar muito mais a isso.
A leitura pode ajudar e relaxar ao mesmo tempo. Inclua em seu horário de estudos um momento voltado para a leitura de algo de sua escolha. Existem revistas de curiosidades no mercado com linguagem divertida, com as quais você vai aprender e se divertir ao mesmo tempo.
A leitura é um hábito que só traz benefícios para a nossa vida. Vale a pena adotá-la para o seu dia-a-dia, experimente!

quarta-feira, 12 de junho de 2019

Motivos que explicam 
porque ler é importante
Por Fundação Universia, em 9 de junho de 2019

O hábito da leitura pode nos trazer diversos benefícios essenciais para o nosso desenvolvimento. Confira cinco motivos que explicam porque ler é importante.


Com cada vez mais informações ao nosso alcance, garantir que possuímos conhecimento suficiente sobre elas é essencial para nos desenvolvermos pessoal e profissionalmente. Esse é apenas um dos motivos que faz com que a leitura seja um hábito tão essencial em nossas vidas.

1. Falar sobre diversos assuntos
Ao ler com frequência, você passa a ampliar seu conhecimento sobre diversos tipos de conteúdo, desde fatos reais até histórias de ficção. Com isso, você expande sua capacidade de compreensão e se torna capaz de trazer assuntos diferentes às conversas, o que provavelmente fará com que você se sinta mais criativo.

2. Encontrar empregos melhores
Com um conhecimento mais amplo sobre diversos assuntos, você terá mais chance de ser bem-sucedido com as oportunidades de emprego que encontrar. Uma pessoa culta que mostra ter vontade de manter-se aprendendo constantemente tem mais chances de se destacar entre os candidatos a uma vaga, conquistando os recrutadores.

3. Melhorar a memória
Quanto mais livros você ler, maior será sua compreensão. Ao entender a importância de um assunto e o motivo pelo qual ele é importante, você se lembrará dele com mais clareza, fazendo com que sua memória seja aprimorada.

4. Aprimorar a capacidade de aprendizado
Se você costuma ser desatento ao realizar suas tarefas, passar a ler mais pode ajudar. Seu interesse por assuntos diversos aumentará e você se sentirá mais motivado a procurar por novas informações, aprimorando seu aprendizado.

5. Diminuir o estresse
Realizar diversas tarefas ao mesmo tempo é uma atitude estressante, principalmente porque essas atividades fragmentadas normalmente são concluídas de maneira incompleta e inadequada. Como a leitura aumentará o seu foco, você deixará esse hábito de lado, fazendo com que você se sinta mais relaxado por ter mais concentração, assim como acontece na meditação.